terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Despedida [2]

Meses já tinham se passado e mais uma vez ela estava no cais, como o fez por dias seguidos, semanas seguidas. Os olhos fixos no horizonte o buscavam em cada navio; ela observava o desembarque dos tripulantes, na esperança de encontrá-lo, e ele lhe pegar pela mão para mostrar tudo aquilo que descrevia nas cartas, arrastá-la para o oceano com ele.
Ah, as cartas. Ela lia e relia cada nova carta que chegava à procura de sinais que pudessem significar que ele viria buscá-la, e depois de dias retornando ao cais, ela finalmente se conformava. Mas logo em seguida vinha uma outra carta, com entrelinhas ainda mais gritantes - ou era ela que as inventava com ainda mais vontade - e lá voltava ela, pés no oceano, olhos no horizonte.
Como já tinha feito tantas vezes, saiu do cais e passou direto no correio. Mas agora tinha decidido: aquela seria a última vez.
" Não me procure mais - eu torcerei de longe, acredite. Um dia, quando eu puder, te escrevo de novo... É que eu não quero mais ver o mundo através dos seus olhos."

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