Quando pisei naquele cais, ainda não acreditava que você estava indo embora. Aquele seu sorriso que conheço tão bem estava lá, como sempre, mas ainda muito maior- você não parecia ter medo. Você sempre sonhou com isso e eu sabia que partiria um dia, e agora que esse dia chegou ainda não consigo aceitar que você não me pegará mais pela mão. Aliás eu sempre soube, meu amor; sempre soube que ao meu lado você era espectro, que sua alma estava longe, estava aqui nesse cais, naquele navio, nesse mar.
Me assusta que eu tenha me depositado tanto em você tão volátil, e agora eu tenha que recuperar o que de você é meu- coisa que eu já devia ter feito, desde que percebi que suas mãos eram vazias. Por mais que eu torça por você com tudo o que eu posso, a verdade é que é difícil te deixar ir; mas agora que vejo em seus olhos um brilho que nunca tinha visto, até me envergonho da melancolia que estou sentindo. Não quero te deixar transparecer minha tristeza, que não é disso que é feito o amor, que é injusto esse meu egoísmo de te querer aqui preso, aqui perto, quando você é inteiro imensidão, como o mar que você busca. E foi aquele seu último abraço- neste você estava por inteiro como nunca, com todos os afetos, com toda a felicidade que jorrava- que me deu a certeza de que tudo ficaria bem.
Seja feliz, meu amor, que agora também vou buscar o meu mar.
Gente, que LINDO, Regina. Gostei muito, muito mesmo!
ResponderExcluir"que é injusto esse meu egoísmo de te querer aqui preso, aqui perto, quando você é inteiro imensidão, como o mar que você busca. (...) Seja feliz, meu amor, que agora também vou buscar o meu mar."
Sério, muitos menores que três pra você.
:*
nossa.
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